Cofen aciona Justiça Federal contra falas misóginas de influenciador
Influenciador que viralizou atacando enfermeiras já teve conta suspensa por chamar Nordeste de 'esgoto do Brasil'
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) acionou a Justiça Federal nesta terça-feira (30) contra o influenciador digital Gabriel Silva, conhecido como “Gordão”, por vídeos publicados nas redes sociais associando a formação em Enfermagem à venda de conteúdo sexual e afirmações misóginas de que enfermeiras manteriam relações com médicos durante plantões.
Na ação civil pública apresentada à Justiça Federal do Distrito Federal, o Cofen pede a retirada dos dois vídeos em até 24h, uma retratação pública e multa em caso de novas publicações ofensivas às profissionais de Enfermagem. Ainda segundo o documento, o episódio ultrapassa os limites da liberdade de expressão ao atribuir, de forma generalizada, comportamentos sexuais a mulheres em razão da profissão.
84,6% das equipes de Enfermagem são mulheres.
Na ação civil pública, o Cofen destaca que a ofensa “atinge milhões de profissionais, majoritariamente mulheres, reforça estereótipo sexista historicamente associado à Enfermagem, compromete a confiança da população na assistência prestada e foi deliberadamente reiterada após advertência”.
A petição cita a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, da qual o Brasil é signatário, que prevê medidas para combater padrões socioculturais baseados em funções estereotipadas de homens e mulheres.
Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 37,5% das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência ou agressão nos 12 meses anteriores à pesquisa, o maior índice da série histórica iniciada em 2017. Entre os episódios relatados, 10,7% foram ofensas sexuais e 5% ocorreram na internet ou nas redes sociais.
A agressão verbal alimenta também violência mais extrema. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública registraram 1.459 vítimas de feminicídio no Brasil em 2024, e 71.834 foram mulheres e meninas foram estupradas.
Além da remoção dos vídeos, sob pena de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento, o conselho pede indenização de R$ 20 mil por dano moral coletivo, a ser destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos. A ação pede ainda a publicação de retratação em vídeo e texto, fixada no topo do perfil por 30 dias, e multa de R$ 10 mil em caso de nova publicação ofensiva às profissionais de Enfermagem. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal.
Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes