Quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Hora Certa

Eleições 2026 há 15 minutos Redação

Hildon vai mudar leis que punem produtores de leite em Rondônia

Decreto do Governo do Estado, instituído no ano passado, promove a renúncia fiscal de R$ 1,2 bilhão por ano do setor lácteo de Rondônia, prejudicando dezenas de indústrias e milhares de pequenos produtores rondonienses

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram
Hildon vai mudar leis que punem produtores de leite em Rondônia

O ex-prefeito de Porto Velho e candidato a governador pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves, e a candidata ao Senado, Mariana Carvalho, participaram de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), com o objetivo de debater os desafios e apresentar propostas para a cadeia produtiva do leite e derivados. O candidato a vice-governador, Cirone Deiró, participou da reunião por videoconferência.

Realizado nesta quarta-feira (26), o diálogo setorial com os candidatos ao Governo do Estado teve as presenças de diretores da FIERO, Sindicato das Indústrias de Laticínios (SINDILEITE), Associação dos Criadores de Girolando (ACGR) e Federação dos Trabalhadores da Agricultura (FETAGRO). Os representantes da indústria leiteira, dos criadores de gado e dos produtores rurais apresentaram as principais reivindicações do setor para os candidatos.

Uma das principais questões envolvem os efeitos da lei estadual 1473/05, que altera a cobrança do ICMS e estimula a importação dos mais diversos produtos, incluindo leite e derivados. No papel, Rondônia se transformou no maior importador de produtos lácteos do país, mas a realidade na prática é outra, uma vez que muitas empresas redirecionam a importação para os maiores centros consumidores do país.

“Isso é ilegal? Não, não é ilegal, mas tem coisas que são imorais. E uma dessas coisas são as infames importações que nós fazemos do leite da Argentina, onde inclusive já foi comprovado a prática de dumping, não levando em consideração as nossas leis, mas mesmo assim o Governo do Estado continua irredutível”, cobrou Hildon. “Vamos modificar a legislação atual, de modo a fazer justiça aos nossos produtores”.

Dados oficiais do governo apontam que a arrecadação de ICMS pelo setor leiteiro está na casa dos R$ 180 milhões por ano. Mas um estudo da FIERO mostra que, se o Estado voltasse a produzir nos moldes de quinze anos atrás, a arrecadação do setor com ICMS chegaria a R$ 1,2 bilhão por ano. “Significa que Rondônia está jogando fora, por ano, um bilhão de reais de arrecadação do ICMS, dinheiro que poderia gerar milhares de empregos e movimentar a economia dos municípios, por culpa da má gestão do Governo”, reclamou Hildon.

O setor produtivo também questiona as mudanças na gestão do Fundo Pró-Leite, determinadas no ano passado a partir de um decreto do Governo do Estado, que retirou os mais de R$ 45 milhões do fundo para cobrir o pagamento da folha salarial da Emater. “A questão é que a Emater cuida de tudo, do café, do cacau, do peixe, da carne bovina e dos demais produtos. O dinheiro do Pró-Leite, pago com a arrecadação da cadeia produtiva do setor, deixou de beneficiar os produtores, que já enfrentam uma crise sem precedentes”, lembrou a candidata ao Senado, Mariana Carvalho.

CEM MIL PESSOAS

Rondônia reúne 23 mil famílias de produtores de leite, o equivalente a cem mil pessoas que dependem diretamente da atividade e são responsáveis pela produção de 1,5 milhão de litros por dia, segundo dados oficiais da agência IDARON. Em 2012, Rondônia produzia 4 milhões de litros por dia. “Existe um déficit de produção absurdo no Estado. Nós tínhamos, em 2019, um rebanho declarado de 3,34 milhões de vacas de leite. Hoje, nosso rebanho é de 2,47 milhões”, declarou o candidato a vice-governador, Cirone Deiró.

“A produção de leite em Rondônia caiu assustadoramente. Nossa proposta é que seja revertido o ICMS arrecadado nessas importações para o setor leiteiro. Hoje, essa questão se tornou moeda de troca pra qualquer outra coisa. Na verdade está prejudicando o setor, então vamos destinar essa arrecadação de ICMS para o setor produtivo leiteiro”, afirmou o empresário Rogério Bertelli, diretor do SINDILEITE.

Milhões de litros de leite que fariam circular a economia de Rondônia deixaram de ser produzidos nos últimos anos. Por dia, são 2,3 milhões de litros de leite a menos. “Nós estamos jogando fora R$ 5,14 milhões da economia de Rondônia. O leite tem capacidade de colocar esse dinheiro dentro do município. É o movimento da farmácia, da loja, é dinheiro na conta do povo, no comércio local. São R$ 144 milhões por mês, equivalente a R$ 1,2 bilhão por ano que deixaram de circular na economia do estado”, reafirmou Bertelli.

ASSESSORIA


Jornal Rondônia em Questão
Editorias & Seções