Leilão de R$ 8,47 bilhões para concessão do saneamento em Rondônia termina sem propostas
Nenhuma empresa formalizou participação na disputa que previa serviços de água e esgoto por 35 anos em 40 municípios; sessão pública marcada para 29 de setembro, na B3, em São Paulo, fica sem concorrentes
O leilão para a concessão regionalizada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Rondônia terminou nesta terça-feira (22) sem receber nenhuma proposta. O contrato, estimado em R$ 8,47 bilhões e com duração de 35 anos, previa a prestação dos serviços em 40 municípios, incluindo Porto Velho.
Com a ausência de interessados, a sessão pública que estava programada para 29 de setembro, na sede da B3, em São Paulo, não terá disputa entre empresas.
O prazo para entrega dos documentos de habilitação e das propostas comerciais terminou nesta terça-feira, sem que nenhuma companhia formalizasse participação no certame. Aegea, BRK e Acciona, empresas que vinham sendo apontadas como potenciais concorrentes, ficaram fora da disputa.
Projeto previa R$ 4,2 bilhões em investimentos
A concessão fazia parte do processo de regionalização dos serviços da Microrregião de Água e Esgoto de Rondônia (MRAE).
O projeto previa aproximadamente R$ 4,2 bilhões em investimentos destinados à expansão e universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Entre as metas estabelecidas estavam a ampliação da cobertura de abastecimento de água para 99% da população e a cobertura de coleta de esgoto para 90% até 2033.
Os municípios incluídos no projeto eram:
Alta Floresta D’Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Alto Paraíso, Cabixi, Cacaulândia, Campo Novo de Rondônia, Candeias do Jamari, Castanheiras, Chupinguaia, Colorado do Oeste, Corumbiara, Costa Marques, Cujubim, Espigão D’Oeste, Governador Jorge Teixeira, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste, Ji-Paraná, Machadinho D’Oeste, Ministro Andreazza, Mirante da Serra, Monte Negro, Nova Brasilândia D’Oeste, Nova Mamoré, Nova União, Novo Horizonte do Oeste, Ouro Preto do Oeste, Parecis, Pimenteiras do Oeste, Porto Velho, Primavera de Rondônia, Rio Crespo, Santa Luzia D’Oeste, São Felipe D’Oeste, Seringueiras, Teixeirópolis, Theobroma, Urupá, Vale do Anari e Vale do Paraíso.
Três empresas eram esperadas
A ausência de concorrentes ocorre apesar da expectativa em torno de três grandes grupos do setor.
A Aegea, que já opera cinco concessões em Rondônia e atende cerca de 350 mil pessoas no estado, era considerada uma das empresas com maior familiaridade com o mercado local.
Segundo a reportagem original, a companhia passa por um processo de desalavancagem e recebeu recentemente aportes de acionistas estimados entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões, destinados à redução de dívidas e não à participação em novos leilões.
A BRK e a Acciona, que recentemente formaram um consórcio para disputar uma concessão em Pernambuco, também não apresentaram proposta para Rondônia.
Até o encerramento do prazo, nenhuma das três empresas havia se manifestado publicamente sobre os motivos para não participar do certame.
Cenário nacional também registra dificuldades
O resultado em Rondônia ocorre em um momento de dificuldades para grandes projetos de saneamento no país.
Em 2026, outros processos também registraram baixa concorrência. Na Paraíba, uma parceria público-privada recebeu apenas um concorrente. No Ceará, somente um dos cinco blocos colocados em disputa recebeu proposta única.
Em Goiás, a tentativa de concessão do esgotamento sanitário terminou sem sucesso: a única proposta apresentada foi considerada inabilitada e o leilão acabou cancelado. Uma nova tentativa está prevista apenas para 2027.
Analistas do setor apontam uma combinação de fatores para o cenário, entre eles juros elevados, endividamento das operadoras após concessões anteriores e o calendári
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