Preso por atentado contra a esposa, Cerimedo é aliado do clã Bolsonaro
Detido na Bolívia, o marqueteiro foi promovido pela família Bolsonaro em 2022 ao espalhar acusações falsas sobre as urnas eletrônicas
O marqueteiro argentino Fernando Cerimedo, conhecido por atuar como ex-estrategista de Javier Milei na Argentina e por ter laços políticos com a família Bolsonaro no Brasil, foi preso na Bolívia sob a acusação de ser o mandante de uma tentativa de assassinato contra a própria esposa, a engenheira Natalia Belén Basil.
A prisão ocorreu no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra. De acordo com as investigações policiais, Cerimedo teria contratado matadores de aluguel para executar o crime. A vítima foi alvo de um ataque a tiros em frente ao hotel onde estava hospedada na cidade boliviana.
A polícia local confirmou que a principal linha de apuração envolve conflitos no relacionamento do casal. “Ele está sob custódia e estamos investigando se ele tem algum envolvimento. Estamos trabalhando com várias hipóteses; a primeira é que Beller tinha algum tipo de problema amoroso com Cerimedo”, declarou o comandante da Polícia de Santa Cruz, David Gómez.
Conexão com o bolsonarismo e ataques ao sistema eleitoral
Segundo Igor Gadelha, do Metrópoles, Fernando Cerimedo ganhou destaque no debate público brasileiro durante as eleições de 2022. Naquele período, integrantes do clã Bolsonaro — incluindo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro — divulgaram vídeos em que o argentino afirmava possuir um suposto “dossiê” com provas de irregularidades nas urnas eletrônicas brasileiras.
As alegações sobre o sistema de votação foram integralmente desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Devido ao envolvimento na difusão de desinformação contra o processo democrático, Cerimedo acabou incluído na lista de investigados do inquérito sobre a trama golpista que apurava ações contra a democracia no Brasil.
Além de sua atuação na campanha presidencial de Javier Milei e das articulações com a família Bolsonaro, o consultor também afirmava ter colaborado com outros nomes da extrema-direita na América Latina, como a campanha do conservador José Antonio Kast, no Chile, em 2021, e a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) no Brasil, em 2018.
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